segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Correio do Brasil*Mensalão

Novas denúncias ferem a credibilidade da Ação Penal 470 e da mídia conservadora

16/9/2012 13:42, Por Redação - de Brasília e Rio de Janeiro

Costa Teixeira alinhava documentos que envolvem o ex-vice-presidente de Varejo do Banco do Brasil, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, titular da diretoria que controla os cartões de crédito Ourocard, a BB-Cartões. Antonio Luiz Rios da Silva, “antes de sua saída do BB”, nomeou como diretor de Verejo Fernando Barbosa de Oliveira, que foi um dos três funcionários do Banco que a Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) dos Correios recomendou que fossem indiciados pela Procuradoria Geral da República.

“Mas Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (então procurador-geral) resolveu ‘poupá-los’, exatamente os nomeados na era FHC, indiciando somente o petista”, afirma.

Nesta carta assinada por Rios da Silva, na qual presta informações tanto à Polícia Federal quanto aos parlamentares, o teor difere dos contratos que deveriam abalizar a denúncia:

“E esta carta mentirosa do ‘tucano’ ditou, influenciou e/ou moldou todos os pareceres, perícias e fundamentalmente a própria ‘denúncia’ da PGR/MPF, bem como a argumentação do relator Joaquim Barbosa que por sua vez ‘convenceu’ o plenário do STF. Ninguém, repetimos, absolutamente ninguém, nem o PGR/MPF e nem o relator, se deram ao trabalho de observar a regra básica de uma relação de mercado, o respeito ao contrato”.

Segundo a denúncia de Costa Teixeira, “existia um contrato que normatizava a relação da Visanet com seus sócios, os diversos bancos, sendo o maior acionista da Visanet o Bradesco”. Antônio Fernando Barros não foi imediatamente encontrado pela reportagem do Correio do Brasil, para se pronunciar sobre a recente denúncia em que está envolvido.

Para o jornalista Miguel Baia Bargas, editor do Blog Limpinho & Cheiroso – que concentra uma das maiores audiências do país – a denúncia cita um outro episódio na história do país:

Bargas lembra que, neste domingo, “faz 59 anos que Carlos Lacerta, baseado numa carta forjada, acusava João Goulart de querer instalar no Brasil uma república sindicalista. A carta que teria sido escrita pelo deputado argentino, Antonio Brandi, falava de supostos entendimentos feitos com o presidente, Juan Perón, envolvendo a implantação de uma república sindicalista e contrabando de armas da argentina para o Brasil. Com a repercussão da noticia na grande mídia, deputados da oposição pediram a abertura de uma CPI para apurar o caso. Só muitos meses depois ficou comprovado que o documento era falso”.

“Mas ai o estrago já estava feito. Este tipo de pratica política de produzir denúncias com provas falsas ou declaratórias voltou a ser utilizada a cada nova eleição. Isso tem provocando o descrédito na política e na democracia brasileira, abrindo espaço para políticos aventureiros totalmente descolados dos partidos e de compromissos políticos. Como afirma Pierre Norra, os empresários da comunicação no Brasil sabem que multiplicar o novo, fabricar o acontecimento, degradar a informação, são seguramente os meios de defender seus interesses”, acrescentou.

Relações complicadas

mensalão

Dilma estaria arrependida de marcar o encontro com o dono da Veja

A outra denúncia que circulou neste domingo é ainda mais cáustica para o tecido político nacional e enterra os últimos traços de credibilidade do principal título de propriedade da Editora Abril S/A. A capa da última edição de Veja, que circulou nas bancas, neste fim de semana, traz o título: Os segredos de Valério. A reportagem contém uma declaração atribuída ao empresário Marcos Valério, imediatamente desmentida pelo advogado do réu na AP 470, sobre o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio do ‘mensalão’:

“Desde 2005 Marcos Valério não dá entrevista e não deu nenhuma entrevista para a revista Veja. Ele nega o teor das declarações atribuídas a ele”, afirmou o advogado Marcos Leonardo. Sem uma só entrevista gravada ou a citação de qualquer nome, a não ser o da personagem que desmente todas as informações da revista, Veja se baseia em “revelações de parentes, amigos e associados” para colocar sob a responsabilidade do empresário a afirmação de que “Lula era o chefe”. A frase, diz o texto assinado pelo jornalista Rodrigo Rangel, teria sido repetida por Valério “com mais frequência e amargura agora que já foi condenado pelo (Supremo Tribunal Federal) STF”.

'mensalão'

Capa da última edição de Veja, sobre o 'mensalão'

A reportagem, conforme anuncia a revista, “tem cinco capítulos”. O primeiro deles, publicado nesta semana, já foi suficiente para que o Planalto mudasse o tom com a revista, frequentada pela presidenta Dilma Rousseff, que concedeu uma entrevista exclusiva para a publicação que integra o “Grupo dos 10″ veículos de comunicação que mais recebem recursos públicos do Palácio do Planalto.

“O constrangimento foi geral, a ponto de o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, no melhor estilo dos jogadores de futebol que reprovam o técnico ao serem preteridos, sair do salão de eventos do hotel Unique, em São Paulo, na sexta-feira 15, meneando a cabeça. Pela manhã, por volta das 10h00, sob a elegante justificativa de não ter um membro de sua família para acompanhá-la, a presidente Dilma Rousseff cancelou compromisso pré-agendado com Civita para o almoço. Pouco mais tarde, durante o evento Maiores e Melhores, da revista Exame do mesmo Civita, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, levatou-se sem prévio aviso da mesa de debates da qual participava, ao lado do prêmio Nobel de Economia Paul Krugman e, outra vez, do próprio Civita, para se retirar em definitivo do recinto, diante de dezenas de empresários”, pontuou a página de notícias na internet 247, neste domingo.

“Os dois gestos foram imediatamente compreendidos como um protesto do governo pela matéria de capa da revista Veja Os Segredos de Valério, que iria circular no dia seguinte”, afirma o site. “A informação do conteúdo em tudo agressivo contra o ex-presidente Lula e o PT circulou para o governo, que, com a batida em retirada, deu o tom de como serão, doravante, as relações institucionais com o Grupo Abril de Civita”, presumiu.

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