quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Florbela Espanca



Saudades

Saudades! 

Sim... Talvez... e porque não?... 
Se o nosso sonho foi tão alto e forte. 
Que bem pensara vê-lo até à morte. 
Deslumbrar-me de luz o coração! 
Esquecer! 
Para quê?
... Ah! como é vão! 
 Que tudo isso,Amor,nos não importe. 
Se ele deixou beleza que conforte. 
Deve-nos ser sagrado como o pão! 
Quantas vezes,Amor,já te esqueci, 
Para mais doidamente me lembrar, 
Mais doidamente me lembrar de ti! 
E quem dera que fosse sempre assim: 
Quanto menos quisesse recordar. 
Mais a saudade andasse presa a mim!



Fraternos Abraços

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