quarta-feira, 22 de abril de 2015

Maturidade


Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente.
Sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso
dos fardos bons ou ruins.
Carreguei muitos com gosto
e alguns com rebeldia.
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi:
dou-te os meus ganhos...
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora:
esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor,
com mais paciência,
a entender-te se precisas,
a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força, que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés mesmo se fogem, retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft

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